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O PROBLEMA DO PRONOME DE TRATAMENTO

25/12/2009

 

Você não deve fazer sexo com sua irmã. Mas o cachorro faz sexo com sua irmã, com sua mãe e com sua tia.   Não estou dizendo nada de errado.  É assim mesmo que se diz em bom português.  Mas, como se formou toda essa confusão?  Isso é a evolução do pronome de tratamento.

Originalmente, diríamos: "Tu não deves fazer sexo com tua irmã. Mas o cachorro faz sexo com sua irmã, com sua mãe e com sua tia".  Aí não haveria nenhum problema. Todavia, criaram o pronome de tratamento.

Inventaram um tal "vossa majestade" para se dirigir a um rei ou rainha; um "vossa alteza" para falar com um príncipe ou com uma princesa.  Daí para frente, foram criando vários pronomes de tratamento para diversas categorias de pessoas.  E o "tu" ficou só para as pessoas do mesmo nível e bem familiares.  Depois, para se dirigir a pessoas estranhas, criaram o "vossa mercê". 

E, o problema se formou porque o pronome possessivo ficou na terceira pessoa, não obstante você se dirigisse a uma segunda pessoa.

Como a evolução da língua é simplesmente o resultado dos erros, o "vossa mercê" foi sendo reduzido (vossimicê, vosmecê, etc.) até se tornar "você"; e, a essa altura, o pronome se havia tornado familiar, isto é, tratamento para seu irmão, seu amigo, etc.  E o pronome "tu" saiu de linha, ficou só na gramática.

Agora, quando eu digo "você", embora esteja falando da segunda pessoa (aquela com quem se fala), eu uso o pronome possessivo "seu" ou "sua" (da terceira pessoa, aquela de quem se fala), confundindo meu interlocutor com o cachorro (terceira pessoa).  Assim, quando digo "sua mãe", não se sabe se estou falando da sua (de você) ou da mãe do cachorro.  Agora, o recurso que temos que usar é deixar o possessivo da terceira pessoa e criar um outro: "mãe dele".

Que problema nos trouxe essa evolução da língua! 

 

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